Eu tava com muita preguiça de ir pro encontro hoje, porque tava frio e chovendo e eu to com muita dor de garganta, mas no final das contas foi muito legal. Estávamos eu, Rubia, Ana Carla, Ana Ferreira e contamos também com a participação especial do Allan, amigo da Ana Carla, professor de antropologia, que contribuiu com várias referências e com o olhar antropológico para a nossa pesquisa.
Fizemos chá e conversamos sobre o texto do Bourdieu e sobre a nossa planejada experiência prática de produzir registros fotográficos de vitrines curitibanas. Já de cara surgiram algumas perguntas sobre que parâmetros vamos utilizar pra produzir esses registros. Seria mais interessante pegar uma dessas grandes avenidas que cortam diversos bairros e verificar como o comércio se modifica ao longo desse percurso? Ou poderíamos tentar encontrar as lojas das diferentes tribos urbanas nos bairros mais afastados do Centro? Ou tentar olhar pra essas vitrines e já identificar possíveis grupos a quem elas se destinam? Ou ainda ir direto a um desses lugares da cidade que concentram várias lojas de um certo tipo (como a Pedro Ivo, ou a Tefé)?
Uma sugestão foi que a gente tentasse associar esse registro fotográfico a uma conversa. Isso evitaria que, a partir das nossas pressuposições, a gente acabe inventando classificações que não condizem com o que pensam os verdadeiros clientes dessas lojas. Então, ficamos com a seguinte metodologia, até que outra apareça: cada um vai pegar algum dia desta semana para sair com sua câmera ou celular e fotografar vitrines que chamem a atenção, que lhe pareçam interessantes, meio aleatoriamente. Se for possível, é legal também tentar conversar com os donos das lojas para entender quem são os clientes, e uma pergunta que foi sugerida e me parece crucial: como foi organizada a vitrine e por quê?
No próximo encontro, podemos conversar sobre essas imagens e entrevistas. Com isso, podemos definir melhor esse recorte que estamos buscando. Paralelamente à prática, vamos também incrementando as nossas referências teóricas. Uma sugestão do Allan, foi que a gente desse uma olhada num livro chamado "Culturas híbridas", do Nestor García Canclini. Eu mandei por e-mail uma coisa que eu achei que era um PDF do livro, mas na verdade era uma análise de um capítulo específico. Ainda estou procurando. (De qualquer modo, acho que a gente vai ter que arranjar alguma solução pra esses livros que a gente quer ler. Ou faz uma vaquinha e compra um, depois tira xerox, ou vamos ter que gastar um tempinho tentando achar na biblioteca pública, sei lá. Nem tudo se acha em PDF)
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segunda-feira, 17 de maio de 2010
terça-feira, 11 de maio de 2010
Sobre o encontro de ontem
Estávamos eu, Gleber, Ana Carla, Ana Ferreira e Michelle. Lemos juntos alguns trechos dos textos que eu mencionei no post anterior e começamos a pensar em alguns encaminhamentos teóricos e de metodologia.
Das coisas que lemos, e das conversas subsequentes, separamos alguns pontos-chave que podem orientar a nossas próximas leituras e experimentos: produção de imagens em moda, narrativa, bens simbólicos, identidade cultural.
Quanto à identidade cultural, essa ideia nos remeteu muito a Curitiba, o que seria uma identidade da moda curitibana, não só a Curitiba bonitinha e urbanizada da região central, mas também a região periférica, as diversas tribos urbanas, os b-boys do Tatuquara, as piriguetes do Fazendinha, a moda evangélica. Pra entender isso melhor, sentimos a necessidade de mais respaldo teórico. Fiquei com a missão de encontrar um PDF do "Identidade cultural na pós-modernidade", do Stuart Hall. (Não encontrei ainda, se alguém achar, pls, avise.)
Os estudos culturais nos pareceram um bom ponto de partida por três motivos: 1. O foco na identidade, que parece um ponto essencial quando tentamos articular arte e moda, 2. O fato de terem surgido principalmente entre intelectuais de países em desenvolvimento, o que nos remete a questões relativas ao nosso país (Michelle lembrou da campanha das lojas Renner: "Londres é aqui"), 3. O fato de serem estudos que procuram articular várias áreas do conhecimento, que é justamente o nosso foco.
A partir dessa leitura, já começamos a planejar um novo experimento, que seria o de começar um registro fotográfico das vitrines curitibanas e, de novo, não só as do Centro. Mas, seria legal dar início a esse experimento já depois de alguma conversa sobre o "Identidade cultural", porque isso já traria uma outra maneira de olhar e registrar essas imagens.
Das coisas que lemos, e das conversas subsequentes, separamos alguns pontos-chave que podem orientar a nossas próximas leituras e experimentos: produção de imagens em moda, narrativa, bens simbólicos, identidade cultural.
Quanto à identidade cultural, essa ideia nos remeteu muito a Curitiba, o que seria uma identidade da moda curitibana, não só a Curitiba bonitinha e urbanizada da região central, mas também a região periférica, as diversas tribos urbanas, os b-boys do Tatuquara, as piriguetes do Fazendinha, a moda evangélica. Pra entender isso melhor, sentimos a necessidade de mais respaldo teórico. Fiquei com a missão de encontrar um PDF do "Identidade cultural na pós-modernidade", do Stuart Hall. (Não encontrei ainda, se alguém achar, pls, avise.)
Os estudos culturais nos pareceram um bom ponto de partida por três motivos: 1. O foco na identidade, que parece um ponto essencial quando tentamos articular arte e moda, 2. O fato de terem surgido principalmente entre intelectuais de países em desenvolvimento, o que nos remete a questões relativas ao nosso país (Michelle lembrou da campanha das lojas Renner: "Londres é aqui"), 3. O fato de serem estudos que procuram articular várias áreas do conhecimento, que é justamente o nosso foco.
A partir dessa leitura, já começamos a planejar um novo experimento, que seria o de começar um registro fotográfico das vitrines curitibanas e, de novo, não só as do Centro. Mas, seria legal dar início a esse experimento já depois de alguma conversa sobre o "Identidade cultural", porque isso já traria uma outra maneira de olhar e registrar essas imagens.
quinta-feira, 29 de abril de 2010
Resumo dos últimos encontros
Gente, pra resumir os dois últimos encontros:
Ana e Michelle trouxeram revistas e catálogos de moda, e olhamos e conversamos sobre elementos que nos interessavam. Entre várias outras coisas, ficamos particularmente interessados em um ensaio específico (Ana, no próximo você podia levar a revista, daí eu posso escanear) em que um ator aparecia vestido de mulher, cada foto com uma personalidade diferente. O que nos chamou a atenção foi justamente o fato de que cada personalidade era definida por um conjunto de roupas, acessórios e maquiagem. A questão era por que essas diferentes composições de elementos geravam leituras tão diferentes. Por exemplo, por que um certo tipo de óculos fala de formalidade, um certo corte de cabelo fala de sensualidade, enquanto outro fala de profissionalismo.
A partir daí, pensamos em começar alguma experiência prática, e reunir no Cafofo várias peças de roupa, cosméticos, bolsas, sapatos, bijuterias, para experimentar que diferentes leituras poderíamos compor com elementos diferentes.
No encontro seguinte, estivemos eu, Ana, Rubia e Gleber. Tínhamos à disposição algumas poucas maquiagens, acessórios, e umas 10 peças de roupa, mas resolvemos começar alguns testes do mesmo jeito. Eu ainda esqueci de levar a câmera, então registramos com o celular da Rúbia. Foi a nossa primeira tentativa de produzir fotos de moda, e eu, particularmente, achei o resultado bem surpreendente, considerando a falta de recursos.
O tom das fotos se deu, principalmente, de acordo com o material que tínhamos disponível. Por isso, para o próximo encontro (vai ser segunda, 2/5, às 19h), pensamos em começar a organizar uma produção de imagens com algum tema específico, para entender como funcionaria isso. Ana sugeriu "Chá das cinco", principalmente pelo desafio de tentar produzir algo elegante e certinho. Nos próximos posts, vou colocar algumas fotos.
segunda-feira, 12 de abril de 2010
Primeira reunião
Tivemos hoje o primeiro encontro presencial, no Cafofo Couve-Flor. Estávamos eu (Gustavo), Michelle Pucci, Lúcia Wander, Ricardo Marinelli, Rubia Romani e Ana Ferreira.
Falei um pouco dos meus interesses em relação a juntar esse grupo, e todos pareceram interessados em criar um espaço não só de investigação teórica, mas também para que possamos trazer as nossas experimentações.
A gente conversou um pouco sobre as nossas curiosidades e interesses pessoais em relação à moda, e levantamos alguns tópicos de discussão, que podem ser pontos de partida para as nossas próximas conversas.
Alguns desses pontos:
- A moda como meio para definir a identidade pessoal e garantir o acesso a certos grupos sociais. Como a gente modifica o modo de vestir para ser ou não ser aceito e como essa aceitação ou repúdio nos modificam.
- A dramaturgia e as possibilidades cênicas dos editoriais e eventos de moda. Exemplos: o editorial de moda que gera ficções, a possibilidade dramatúrgica da sucessão de imagens em um desfile.
- A proximidade entre a moda e as artes visuais. O uso elaborado de imagens estáticas e em movimento que é produzido nesse meio.
- O interesse em descobrir e testar materiais e tecidos diferentes para produzir determinados resultados.
- O histórico das peças, por onde elas passam antes de chegar na loja da esquina. Exemplo: o keffyeh que sai da Palestina, vira modinha neo-hippie na Europa, passa pelo Balenciaga, chega no Brasil supercaro e hoje se encontra em qualquer camelô por 10 reais.
- Próximo a isso, o interesse em entender como acontece a reverberação das informações nessa área de atuação. Exemplo: como uma gola oversize, que parece surreal na passarela, chega na C&A com um tamanho reduzido. A informação permanece? Como ela se modifica?
- Entender mais como funciona a indústria de moda, por detrás da parte glamurosa. Quem são os designers de moda e como é o mercado para jovens profissionais em Curitiba e no Paraná? Como se sobrevive nessa área? Quais são as possibilidades?
Marcamos a nossa próxima reunião para segunda-feira que vem (19/04), às 19h 30, e para lá ficamos com a tarefa de trazer imagens (vídeos, trechos de filmes ou fotos) que interessam a cada um de nós, para poder conversar juntos a respeito delas. Fora isso, vamos postando no blog as coisas que nos chamarem a atenção no decorrer da semana.
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